Boca Maldita: tradição, conversa e cultura em uma manhã movimentada de dezembro na Rua XV
A Rua XV de Novembro, um dos cartões-postais de Curitiba, ganhou um brilho especial nesta manhã de dezembro. Em clima de pré-Natal, turistas e moradores se misturaram entre luzes, vitrines decoradas e apresentações culturais que ocupavam cada trecho do calçadão. No centro desse movimento está a famosa Boca Maldita, ponto de encontro histórico conhecido por ser um espaço democrático de opinião pública.
O nome curioso, que desperta a atenção de quem passa, surgiu nos anos 1950. Na época, um grupo de frequentadores costumava se reunir nas mesas dos cafés da Rua XV para comentar os acontecimentos políticos, econômicos e sociais do país. As conversas eram francas, muitas vezes afiadas, e logo o local ficou conhecido como o reduto onde “ninguém poupava críticas”. A expressão “Boca Maldita” acabou se popularizando e permanece até hoje como símbolo da livre circulação de ideias.

Nesta manhã pré-natalina, o tradicional ponto de debates deu lugar a um cenário vibrante. Músicos de rua, artesãos e pequenos grupos teatrais se apresentavam ao longo do calçadão, atraindo olhares curiosos e câmeras de celulares. Turistas aproveitavam para registrar a decoração temática, enquanto moradores faziam suas compras de fim de ano ou simplesmente passeavam sob as sombras das árvores.
A atmosfera era de celebração: crianças encantadas com personagens natalinos, pessoas conversando nos bancos da avenida e outras participando de atividades culturais promovidas por artistas. A Rua XV, conhecida por sua vocação para reunir gente e histórias, reafirma seu papel como espaço urbano vivo e pulsante.
Na Boca Maldita, onde tantas opiniões já ecoaram ao longo das décadas, o que prevalecia nesta manhã de dezembro era um sentimento comum: a alegria de ver o centro da cidade cheio, acolhedor e culturalmente ativo. Um lembrete de que Curitiba segue valorizando tradição, convivência e diversidade, especialmente quando o Natal se aproxima.


