Brasil sofre, vira nos acréscimos e elimina o Japão na Copa do Mundo

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Gol de Martinelli no fim do segundo tempo garante vitória por 2 a 1 em Houston e mantém viva a caminhada da seleção rumo ao hexacampeonato.

A seleção brasileira passou por um sufoco, mas confirmou o favoritismo e eliminou o Japão por 2 a 1 nesta segunda-feira (29), no NRG Stadium, em Houston. O resultado garante à equipe de Carlo Ancelotti vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e mantém de pé o sonho do hexacampeonato.

O confronto só foi resolvido nos minutos finais. Depois de sair atrás no placar e sofrer para furar o bloqueio defensivo armado pelos japoneses, o Brasil buscou o empate com Casemiro ainda no início da segunda etapa e só conseguiu a virada já nos acréscimos, com Gabriel Martinelli, que entrou no decorrer do jogo e decidiu a partida.

Um primeiro tempo de sustos

A equipe brasileira começou em cima, pressionando a saída de bola adversária e criando a primeira grande chance aos 12 minutos, em finalização de Matheus Cunha defendida pelo goleiro Zion Suzuki. A resposta japonesa, porém, veio em uma falha brasileira: Danilo perdeu a bola no meio-campo e abriu espaço para o avanço de Kaishu Sano, que driblou Casemiro e bateu no canto de Alisson para abrir o placar.

A partir daí, a seleção asiática recuou as linhas e passou a controlar o ritmo da partida com toque de bola, dificultando a aproximação brasileira. Sem espaços pelos lados, com Vinícius Júnior e Rayan bem marcados, o Brasil errou passes em sequência e terminou a primeira etapa atrás no placar.

Reação na base do jogo aéreo

No intervalo, Ancelotti promoveu a entrada de Endrick no lugar de Lucas Paquetá, que sentiu a coxa esquerda. A mudança de cenário no segundo tempo era nítida: Japão recuado, Brasil no campo de ataque, apostando em bolas alçadas na área.

A insistência aérea valeu o empate aos 11 minutos. Em cruzamento de Vinícius Júnior, Casemiro subiu mais que a marcação japonesa e cabeceou para o fundo da rede. Animado, o Brasil ainda quase virou pouco depois, em jogada individual de Vinícius Júnior que terminou na trave.

Paciência recompensada nos acréscimos

Com o duelo caminhando para a prorrogação, Ancelotti lançou Gabriel Martinelli na vaga de Matheus Cunha. O atacante entrou e, aos 49 minutos, recebeu lançamento de Bruno Guimarães em profundidade, ficou cara a cara com Suzuki e bateu cruzado, contando ainda com um desvio na trave antes de garantir a virada brasileira.

O duelo entre mestre e discípulo

Fora de campo, o jogo também carregava um simbolismo histórico. O futebol japonês tem o Brasil como uma de suas maiores referências, com nomes como Zico e Ruy Ramos — este último naturalizado japonês após defender clubes do país — entre os responsáveis por moldar o esporte por lá. Essa relação chegou até a cultura pop: o anime símbolo do futebol no Japão, que também fez sucesso entre crianças brasileiras nos anos 1990, encerrou sua trama original justamente com uma final de Copa do Mundo entre as duas seleções, sem mostrar o resultado da partida. Para torcedores da série, o duelo desta segunda-feira foi tratado nos últimos dias como uma espécie de desfecho tardio daquela história — desta vez, com vitória brasileira confirmada dentro de campo.

Próximo passo

Classificado, o Brasil aguarda a definição do adversário das oitavas de final, que sai do confronto entre Noruega e Costa do Marfim, nesta terça-feira (30), em Dallas. A partida da seleção brasileira na próxima fase está marcada para domingo (5), em Nova Jersey.