Viaje pra dentro, viagem sem roteiro
Desde criança quando viajava pra qualquer lugar eu pensava “eu gostaria de morar aqui”. Olhava a vida quotidiana passando naquele lugar desconhecido e pensava como seria viver ali. Mesmo que fosse uma cidade interiorana há poucas horas da cidade que eu morava. Acho que essa curiosidade sempre me moveu e há alguns anos descobri o encanto de viajar sozinha. O fato é que há 3 anos tomei coragem e dei o primeiro passo. O primeiro de muitos. Viagem pra fora, viagem pra dentro. Quando estamos sozinhos podemos fazer apenas aquilo que nos agrada, não há muito espaço para titubeios ou discussões sobre o que fazer. E assim é o meu tipo de turismo. Sem roteiro, sem rumo, ao sabor do vento. Quando alguém me pergunta, “você visitou tal e tal lugar?” Eu respondo que visitei uma igrejinha linda mas que não lembro o nome. Comi em um restaurante maravilhoso com uma vista de tirar o fôlego, mas não lembro o nome. Sempre com um olhar daquela criança.
Nesse espírito resolvi voltar ao Porto em Portugal. Mas dessa vez sozinha; ou, em excelente companhia! Andando pela cidade e entrando nas ruelas que mais me atraiam,andando e atenta à arquitetura, ao céu azul de Portugal, aquele sol amarelo de fim de tarde. Opa, que tal procurar algum lugar bonito para ver o pôr sol sol?! Penso. Imediatamente abro meu mapa no celular e vejo “miradouro da Vitória”, soa imediatamente óbvio que é pra lá que devo ir, pois Vitória era o nome da minha avó, que é uma especie de guru pra mim e para todas as mulheres da minha família, como exemplo de uma mulher corajosa e Vitoriosa como o próprio nome. Ela me ensinou sobre feminismo sem nunca ter usado essa palavra. Nos ensinou sobre a liberdade e a força feminina através do seu próprio exemplo de uma mulher brasileira nordestina que se mudou sozinha com 4 filhos para o sul do Brasil.
Eis que o vento me levou ali para o miradouro da Vitória, no Porto. Tive a certeza de que era ali que eu devia estar. Aliás, como uma grata surpresa encontrei uma lojinha com as cerâmicas portuguesas mais lindas que já vi. Gastei quase uma hora apreciando a arte local naquela loja, que estava fora da rota turística e que eu não teria visitado se não estivesse “ao sabor do vento”. Ah! E estava tocando música brasileira de primeira qualidade. Mais um sinal? Continue! Grata por estar aqui.
Por Fernanda Raasch


