Às vezes, o destino nos chama sem aviso.
Fui procurado às vésperas de um júri. Um amigo precisava de ajuda. Analisei o processo e, logo nas primeiras páginas, algo me incomodou profundamente: a história não fechava. Provas frágeis. Contradições evidentes. Linhas investigativas ignoradas. A sensação era clara de que estavam tentando transformar alguém em bode expiatório.
Naquele momento, não havia espaço para omissão. Quando a liberdade de um inocente está em jogo, o silêncio nunca pode ser uma opção.
A batalha foi dura. Enfrentamos versões, pressão e um processo marcado por falhas graves de investigação. Mas a verdade resistiu. E, ao final, a justiça prevaleceu.
O Tribunal do Júri é isso: um campo onde técnica, coragem e consciência caminham lado a lado. Hoje, mais do que uma absolvição, celebrou-se a liberdade de quem jamais deveria ter sido condenado.
Advogar não é apenas falar em nome de alguém.
Às vezes, é impedir que o erro destrua uma ou outra vida.
A liberdade venceu.
Alvaro Costa
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