Própolis vermelha ganha destaque em pesquisas e desperta interesse do mercado de saúde natural
A própolis, substância produzida pelas abelhas a partir de resinas vegetais, voltou ao centro das atenções científicas. Utilizada pelas colônias como barreira de proteção contra microrganismos, ela também tem sido investigada por seus possíveis benefícios ao organismo humano. No Brasil, três tipos principais se destacam: vermelha, verde e marrom, cada uma com composição e efeitos próprios. Entre elas, a própolis vermelha tem chamado a atenção por sua raridade e pelo alto teor de compostos bioativos.
O berço da própolis vermelha
Considerada uma das variedades mais raras do mundo, a própolis vermelha brasileira é produzida quase exclusivamente no Nordeste, principalmente em Alagoas. Ali, abelhas exploram a resina da planta Dalbergia ecastophyllum, conhecida popularmente como rabo-de-bugio, comum em áreas de manguezal. A interação entre a espécie vegetal e o ambiente costeiro confere à substância uma composição química singular.
A cor avermelhada intensa é resultado da alta concentração de isoflavonoides, especialmente isoflavonas e outros flavonoides, além de compostos fenólicos e benzofenonas. Esses elementos são associados a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Evidências científicas e limites
Estudos conduzidos por universidades brasileiras, incluindo USP, UFAL e Fiocruz, avaliam o potencial terapêutico da própolis vermelha. Entre os resultados mais promissores estão:
- forte atividade antioxidante, capaz de reduzir danos celulares causados por radicais livres;
- ação anti-inflamatória em processos leves;
- atividade antibacteriana e antifúngica contra diversos microrganismos;
- indícios de ação antiviral, inclusive contra vírus respiratórios;
- potencial antitumoral, observado em testes laboratoriais com células de câncer de mama, próstata e leucemia.
Pesquisadores, porém, ressaltam que a substância não é um tratamento médico e que seus efeitos ainda estão em fase de investigação. Nenhum estudo aponta a própolis como substituta de terapias convencionais.
Como ela se diferencia de outros tipos
Além da própolis vermelha, o Brasil também é grande produtor das variedades verde e marrom.
- Própolis verde, típica do Sudeste e obtida da planta Baccharis dracunculifolia, é rica em artepilina C e amplamente usada para reforço da imunidade e apoio em infecções respiratórias leves.
- Própolis marrom, comum em várias regiões, apresenta composição mais variável e costuma ser a opção mais acessível. Tem ação antibacteriana e anti-inflamatória moderada, adequada ao uso cotidiano.
A própolis vermelha, apesar de mais cara, vem sendo procurada por consumidores em busca de produtos naturais com maior teor de antioxidantes e compostos bioativos.
Cuidados e recomendações
Especialistas alertam que, embora amplamente comercializada como suplemento, a própolis deve ser utilizada com cautela. Pessoas alérgicas a produtos de abelha devem evitar o consumo. Gestantes, lactantes, crianças e indivíduos em tratamento médico precisam de orientação profissional.
Na hora da compra, é importante observar o teor de extrato seco, que no Brasil deve ser de, no mínimo, 11%, além de checar informações do fabricante e a procedência do produto.


