Cães Abandonados e Crianças nas Ruas: o Espelho da Nossa Indiferença

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Foto: Pexels

Nas calçadas das cidades brasileiras, duas presenças silenciosas se repetem diariamente: cães abandonados e crianças em situação de rua. À primeira vista, realidades distintas. Na essência, porém, revelam o mesmo drama: o abandono institucionalizado e a indiferença social.
Enquanto discursos inflamados ocupam tribunas e redes sociais, a realidade segue ignorada. O cão faminto e a criança pedindo esmola no semáforo são provas vivas de que políticas públicas básicas simplesmente não funcionam no Brasil. Não existe assistência social. Não existe a proteção à infância. Não existe controle populacional de animais e o resultado é a falência total do Estado.
Tanto a criança quanto o cão não nasceram ali. Foram empurrados para ali. Pela negligência familiar, pela ausência de políticas públicas eficazes, pela precariedade econômica e, sobretudo, pela naturalização do descaso. 
É comum ouvir que “não há o que fazer”, que “sempre foi assim”. Mas a verdade é que falta gestão, seriedade e compromisso com quem não rende votos, não financia campanhas e não aparece em palanques. Investir em acolhimento, prevenção e reinserção social não gera manchetes, mas transforma vidas. Por isso, é deixado de lado. 
Por todos os lados narrativas que apenas servem para aliviar consciências. Enquanto isso, ONGs, voluntários e cidadãos comuns assumem tarefas que deveriam ser prioritárias do Estado: acolher, alimentar, cuidar, reabilitar. O mais grave, porém, não é apenas a falta de recursos. Aliás, pelos últimos escândalos, recursos sobram pra dar e vender. A questão é a falta de sensibilidade. O cão vira “problema”. A criança vira “estatística”. Ambos perdem o direito à dignidade.
Uma sociedade que tolera animais morrendo nas ruas e crianças dormindo nas calçadas precisa se olhar no espelho. Não se trata apenas de pobreza. Trata-se de fracasso moral, social e político. Proteger os mais frágeis não é caridade. É dever. É compromisso civilizatório. É o mínimo que se espera de um país que ainda insiste em se chamar de justo.
Álvaro Costa
Advogado, Analista político e Colunista

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Alvaro Costa

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